CLÁUDIO EDINGER
MACHINA MUNDI

20 Apr - 9 Jun

“A beleza é uma forma de gênio. Diria mesmo que é mais sublime do que o gênio por não precisar de explicação. É um dos grandes factos do mundo, como a luz do sol ou a primavera, ou o reflexo das escuras águas dessa concha de prata a que chamamos lua. É inquestionável. Tem um direito de soberania divino. O verdadeiro mistério do mundo é o visível e o não invisível”


Oscar Wilde, “Retrato de Dorian Grey”



Do grego “aísthesis”, sentimento, a estética surge na arte como uma análise do complexo das sensações originadas na relação entre o sujeito e o objecto. Com os estudos de Hegel e Kant, surgem algumas questões indispensáveis sobre o tema, discutidas até hoje; as experiências estéticas estão submetidas a alguma finalidade predeterminada ou constituem uma ordenação lógica? A estética seria resultado da cultura? Ou seria a cultura resultado de uma inclinação estética do homem?

A perspectiva pela qual Claudio Edinger vê o Rio de Janeiro, faz com que as paisagens tão familiares nos pareçam únicas, sublimes. Ao olharmos as fotografias, tudo ao redor se dissolve e somos levados ao mundo do belo, do harmonioso e divino. A vista do céu possibilita o distanciamento para percebermos a nossa própria pequenez e a relatividade do todo.

Machina Mundi, ou o tecido do mundo, parece pertencer a duas dinastias, a do real e do irreal. A realidade das histórias que se perdem, ficam escondidas numa superfície na qual tudo é irrelevante, nesse volume impreciso que visto de cima desaparece, mas que sabemos existir.

O irreal daquilo que nunca vimos, a cidade como maquete, noutro prisma, outro tempo, uma nova linguagem.
Cores, texturas e formas que só são possíveis pelo olhar e a audácia do fotógrafo que traz imagens do espaço.

Edinger guia-nos, conduz o nosso olhar ao inesperado com uma forma única de entrever e descortinar pontos de vista até então intocados. A fotografia é menos uma forma de transgreção mimética do visível do que uma forma de transgredir as fronteiras do visual, e de encontrar na realidade o que os nossos olhos não percebem.

Há mais de quinze anos a pesquisar sobre a sua cidade natal, em Machina Mundi, Claudio Edinger expõe vistas aéreas que reafirmam a beleza como característica fundamental na arte do século XXI e inserem a sua obra no pantheon naturalmente esculpido por grandes mestres que já homenagearam a cidade maravilhosa, como Drumond, Tom Jobim, Marc Ferrez, Guignard, Debret, Villa Lobos, Pablo Neruda e até mesmo Orson Welles.

Como define Nietzsche, “Só um fenómeno estético a existência e o mundo aparecem eternamente justificados”.


Paulo Kessab Junior